O investimento rompeu a série negra que se registava desde o início de 2008 e conseguiu finalmente crescer no terceiro trimestre deste ano. O renovado fulgor dos empresários foi ontem confirmado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que revelou ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) registou, no mesmo período, um avanço homólogo de 0,7%.
Segundo as Contas Nacionais Trimestrais, o investimento atingiu um crescimento real de 8,6%. Este é o valor mais elevado desde 1995 (o ano mais distante para o qual o INE fornece dados comparáveis), embora a comparação perca força quando se sabe que esta rubrica partiu de uma base muito baixa, depois de seis trimestres de recuos sucessivos.
Ainda assim, o investimento representou 1,9 pontos percentuais do crescimento do PIB. As exportações e o consumo privado também melhoraram e só a subida pronunciada das importações reteve o crescimento do Produto nos 0,7%. Menos 0,2 pontos percentuais do que na anterior estimativa que o primeiro-ministro, José Sócrates, desvalorizou, enfatizando o facto de o crescimento ser, ainda assim, "um dos maiores" da zona euro.
Investimento em material de transporte cresce 32%
A melhoria do investimento fica a dever-se, sobretudo, à evolução positiva dos sectores de material de transporte e de produção metalúrgica e equipamentos, com o primeiro a avançar 32%. A isto somam-se os 'stocks', que aumentaram de forma robusta.
Para Paula Carvalho, analista do BPI, os números são "positivos" mas, por se suportarem muito na evolução dos 'stocks', não permitem ainda tirar conclusões em relação à tendência de fundo subjacente. "Além disso, o investimento tinha caído tanto que seria de esperar alguma melhoria", realça a analista, uma opinião partilhada por Filipe Garcia.
Uma das explicações pode residir no investimento público, a que o Governo tem recorrido para ajudar a reanimar a economia. Contudo, o INE não discrimina gastos estatais do investimento privado. A análise da construção - o sector que estará provavelmente a receber a maior fatia de investimento público, dado o plano de requalificação do parque escolar - mostra, contudo, que o contributo desta componente foi modesto: apenas 0,7 pontos percentuais.
Exportações e consumo melhoram
De resto, as Contas Nacionais mostram que as restantes rubricas também estão a impulsionar o crescimento do PIB. O consumo privado, por exemplo, avançou 0,8% face ao trimestre anterior, como resultado das "baixas taxas de juro, uma inflação contida e medidas de apoio social", defende Paula Carvalho.
No capítulo do comércio externo, as empresas conseguiram aumentar as suas exportações mas o reanimar da procura interna também já teve efeito nas importações, que cresceram mais do que proporcionalmente (5,9% contra 9%, segundo o INE). Resultado: a retoma do comércio internacional levou à degradação do saldo líquido.